As novelas invadiram o streaming e lá vem mais

Não é de hoje que as novelas são de grande importância para a cultura televisiva brasileira. O nosso produto, inclusive, serve como objeto de exportação, de grande relevância para países como Portugal, Angola, Alemanha, México, Japão, Índia, e até, a Rússia. Agora, os serviços de streaming entenderam a importância estratégica do segmento e preparam uma reação ao mercado brasileiro.

As novelas foram lançadas pela saudosa TV Tupi, nos anos 50, com episódios filmados ao vivo e plateia nos bastidores, como ocorre, ainda hoje, com os seriados de comédia norte-americanos, tipo sitcom. Imagine a dificuldade de produzir isso. Os atores não poderiam errar as falas ou esquecer. O primeiro beijo de um casal foi numa novela. Sua Vida Me Pertence, da Tupi, em 1951. O beijo chocou a sociedade brasileira. Um escândalo. Bem diferente da reação do público atual quanto aos romances folhetinescos.

Depois de recriar novelas importadas de outros países, com elenco nacional, a Rede Globo se consolidou com sucesso, através das novelas, mantendo o domínio da audiência, por décadas, especialmente, no horário nobre da TV brasileira. As novelas se tornaram o principal produto da emissora, de maior audiência. De maior rentabilidade. Tornando, inclusive, um dos programas de maior alcance de exportação. Escrava Isaura (1976-77) alcançou 104 países. Caminho das Índias (2009), 118 países. Avenida Brasil (2012), 150 países, é a novela brasileira mais exportada pelo mundo.

Outras emissoras chegaram a ameaçar a Rede Globo, em audiência, também por conta da produção de novelas. Foi o caso da extinta TV Excelsior, com Redenção (1966-68), recordista, como a novela mais longa da TV brasileira. Teve 596 capítulos. A Rede Bandeirantes exibiu Os Imigrantes (1981-82), com 585 episódios. A extinta Rede Manchete exibiu Pantanal (1990), com 216 capítulos. E, mais recente, a Rede Record fez grande sucesso com Os Dez Mandamentos (2015-16), com 242 capítulos e o SBT lançou As Aventuras de Poliana (2018-20), com 564 episódios. A novela da Record, inclusive, foi lançada nos cinemas em 2016, em versão de filme, batendo recordes de bilheteria. Até o Recife, produziu sua própria novela pela TV Jornal, A Moça do Sobrado Grande (1968).

A Rede Globo relançou as próprias novelas, em seu canal de TV paga, Viva, com grande sucesso. Agora, as novelas são o maior trunfo do serviço de streaming da emissora, a Globo Play, num acervo com mais de 100 novelas da emissora como Roque Santeiro (1985), Roda de Fogo (1986) e Vale Tudo (1988). Tem até a novela paródia, do humorístico TV Pirata, chamada Fogo no Rabo (1988). Esse ano, o streaming da Globo incluiu em seus acervos, muitas novelas mexicanas, que foram exibidas antes na TV Aberta, pela concorrente SBT.

De olho nesse potencial, os serviços de streaming, em geral, estrangeiros, agora decidiram apostar suas fichas na produção de novelas brasileiras que serão lançadas em nível mundial. Com esse novo espaço, o alcance de audiência dessas novelas será planetário, como nunca aconteceu antes, mesmo considerando os maiores sucessos do formato até o momento, como a novela Avenida Brasil, da Globo.

Por enquanto, as demais plataformas apenas experimentaram lançar novelas estrangeiras nos serviços e já conseguiram perceber o potencial de sucesso dessas produções. A Netflix conseguiu causar impacto com a novela turca O Grande Guerreiro Otomano (2014) e várias novelas coreanas como Mr. Sunshine (2018) e Pousando no Amor (2019-20). Até a Pluto TV entrou no segmento com a novela sobre a vida do lendário astro das artes marciais, com Bruce Lee – A Lenda (2008), produzida na China.

A Disney Plus fechou um acordo com a rival, Rede Globo, para produzir uma novela adolescente nos estúdios do Rio de Janeiro, com elenco brasileiro, de olho no público jovem. Essa nova novela já teve um teaser lançado. Se chama Tudo Igual, SQN, prevista para 2022.

A Netflix corre com a contratação de executivos, profissionais técnicos e elenco de atores que foram ex-contratados da Rede Globo, da Record e do SBT. A popular plataforma promete produzir e lançar a novela mais cara da história da TV brasileira, também em 2022. Não há nada divulgado ainda, nem o título.

Não podemos esquecer da HBO max que sinalizou querer realizar produções no segmento e deu início a contratação dos profissionais. Muitos deles, ex-contratados de emissoras consagradas, como a estrela Angélica.

O Brasil está se dando muito bem nesse segmento. Tanto pelo fato de que as plataformas estão produzindo mais filmes e séries nacionais. Isso ajuda a ampliar a audiência em suas plataformas no nosso país, como também serve de preparação para invadir o mercado de novelas. Lembrando que o Brasil é o segundo maior país do mundo, em audiência das plataformas de streaming.

A nova aposta, visando a produção de novelas, parece ser um passo natural, nesse mercado tão competitivo de streaming, cada vez mais agressivo no Brasil, com o lançamento de tantos concorrentes.

Outros pontos positivos mostram que o aumento de produções brasileiras nas plataformas significa a exibição dessas mesmas no mercado mundial, dando visibilidade ao nosso país, fortalecendo nossa cultura e nosso turismo, além de ampliar o mercado de trabalho para os nossos profissionais.

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Que venham, então, as futuras novelas do streaming. Só nos resta aguardar, as cenas dos próximos capítulos.

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