Cabras da Peste (2021) | Crítica

Ir contra o cinema popular nacional é um caminho perigoso pois acabamos abraçando um discurso que muitas vezes está mais carregado de pré-conceitos estabelecidos no imaginário coletivo sobre esse tipo de obra que algo realmente pensado e elaborado antes de ser dito. Começo com essa introdução a escrever sobre Cabras da Peste porque acredito que antes de tudo, é preciso ter respeito por qualquer tipo de criação nacional (não vou passar pano para filme estrangeiro ruim. Te vira Hollywood) e entender o contexto que ela está inserida. Dado todos os adendos, vamos tecer um pouco sobre a nova produção brasileira da Netflix. Confira prévia:

Presa nos moldes dos filmes de comédia com arcos estabelecidos de fácil compreensão, vemos um filme que bebe de obras da comédia brasileira que fizeram sucesso com o grande público e agora se tornaram objetos a serem copiados das mais diversas formas. A presença de Edmilson Filho em tela já remete aos seus filmes feitos no Ceará (na parceira com Halder Gomes) que ganharam visibilidade nacional e renderam franquias de filmes e até série na Globo. O que era bastante regional acabou se expandindo e aqui no filme (majoritariamente filmado em São Paulo) vemos uma mistura de estilos e técnicas que deixariam qualquer um confuso de antemão.

Claramente não sou o público alvo desse filme, mas a comédia pastelão acaba acertando diante de tantos erros e alguns risos são involuntários diante da patifaria que está em tela.

O maior acerto acaba se tornando o mais notável erro quando o excesso de personagens secundários sufocam a narrativa que em alguns momentos mais parecem tentativas de esquetes de programa de humor que uma narrativa de cinema tentando ser contada. A impressão que esses filmes de comédia pasteurizados sempre vão carregar, pois parecem que são feitos já pensando na sua exibição na televisão e pronto para um público infiel que vai pegar o celular durante o filme ou ficar zapeando os canais, logo vão precisar entender piadas aleatórias que nada acrescentam a trama.

Enfim, estou abraçando o papel do crítico pedante nesse momento, mas sei que esse filme será bem apreciado por quem riu com Cine Holliúdy e afins. Fiquei entediado e só Falcão em tela me fez rir.

Classificação:

Veja outras críticas nossas, de produções da Netflix:

O longa brasileiro encontra-se no catálogo da streaming, Netflix.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *