Caçadoras de Recompensas – 1º temporada (2020) | Crítica

O novo e despretensioso programa da Netflix, Caçadoras de Recompensas entrega em episódios ligeiramente desarmônicos, mas bons, sátiras de uma vida moderna, realizando, portanto, uma leitura importante do conservadorismo anacrônico de uma sociedade hipócrita, e sem um pingo de humanidade, mesmo cristã. Confira prévia:

Sem lançar alguma expectativa positiva sobre a nova série da Netflix, composta por 10 episódios, Caçadoras de Recompensas entrega ao público uma boa dose de verdades jogadas para d’baixo do tapete. O ménage a trois entre Igreja, Mercado e Estado nunca foi uma boa ideia de liberdade e vida para a população de modo geral, afinal as maiores atrocidades vividas na humanidade, sejam no passado ou presente, estão apoiadas nesse tripé, que desenvolvem ações em nome de deus (propositalmente, escrito com o ‘d’ minusculo), protegendo as instituições financeiras e aumentando ainda mais as distâncias sociais entre homens – algo já discutido por Cristo em sua jornada na Terra.

O programa da Netflix é uma mistura quase perfeita dessas críticas feitas por aqueles que conseguem enxergar as fragilidades do sistema, que afasta ainda mais os seres humanos dos seus próprios irmãos. Com uma linguagem ‘teen’, retirando, portanto, a carga dramática, Caçadoras de Recompensas de Kathleen Jordan (Orange is the New Black) é uma boa assertiva da streaming. Guiados por duas jovens atrizes, e um ótimo elenco satélite, o programa compensa os seus espectadores com uma estória, no mínimo interessante, e repletas de plot’s twisters.

Todavia, se podemos tecer ótimos comentários, também podemos avaliar os erros do programa. Em meio a luta contra a ideologia elitista, preocupando-se em demasia com o que tem a falar, Caçadoras de Recompensas repete ideias, provoca variação técnica entre os capítulos, se perdendo em alguns momentos. Mas, vamos a história…

Caçadoras de Recompensas/Netflix – Reprodução

Após um encontro duplo, as gêmeas Sterling (Maddie Phillips) e Blair (Anjelica Bette Fellini) pegam o carro do pai as escondidas e terminam sofrendo um pequeno acidente, com prejuízos apenas financeiros… Ufa! Pra sorte delas, a colisão também evidenciou a capacidade inventiva e técnica em capturar foragidos da justiça, e farão disso um trabalho. Arregimentadas por Bowser (Kadeem Hardison), um caçador experiente, receberão missões que sacudirá das humildes, às ricas residências onde moram.

E se você acha que as jovens brancas, filhas de republicanos não tem ‘know how’ pra isso, ledo engano. As habilidades para profissão foram construídas desde muito cedo. E aqui é reservado a maior parte da crítica demonstrada no programa, desde o racismo estrutural, conceitos equivocados sobre uma dada realidade, à falsa concepção religiosa e de fé.

Como toda série ‘teen’, também visualizaremos em Caçadoras de Recompensas um caminho de auto-conhecimento desenhado pelas nossas queridas protagonistas, seja no amor, ou na vida familiar, que remontam belos segredos, e sim, muitas cenas escolares – o que nem sempre funcionou. Mas, o programa diverte no todo.

A série da Netflix consegue vencer muitos dos desafios técnicos que uma produção exige: Bom elenco; boa mixagem e edição de som, ótima direção; mas derrapa um pouco em como contar a história. Com os ganchos deixados na primeira temporada, será necessário que haja uma maior harmonização textual para o programa decolar, caso contrário, não haverá mais sobre o que falar e perderá a sua boa premissa.

Classificação:

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Caçadoras de Recompensas encontra-se no catálogo da Netflix.

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