Carros Queimados, Cigarros Acesos e “A Um Passo do Abismo”

Não. Não estou sendo extremo e muito menos um mal exemplo. Ser jovem é exatamente essa frase aí acima. 

O queimar dos carros é a simbologia perfeita para fenecer o sistema capitalista, autoritário e majoritariamente envelhecido com pessoas velhas prestes a apodrecer a serem comidas – finalmente – pelos vermes que habitam os cemitérios. Carros são os maiores símbolos da industrialização desenfreada e ninguém sente na pele de forma tão intensa a pressão da sociedade industrializada que os jovens.

O concreto é o objeto principal. Nele andam os carros; em cima deles se fazem as residências; ralando neles as crianças criam feridas em pele aberta. Não existe diferença entre crianças e adolescentes aqui. Todos perante o concreto são crianças até que atinjam a maioridade. 

Se rebelar contra os signos desse sistema é a única forma certa de ser notado. Carros queimados são o cheio do progresso espiritual de uma geração que nasceu da desesperança com um futuro que além de incerto é agressivo para quem decide se aventurar nele.

E agora vamos para os cigarros. Eles não são objetos de rebeldia como foram outrora. Agora sabemos o mal que eles causam em nós e exatamente por isso que eles continuam sendo peça chave da rebeldia juvenil.

Um maço para dentro e o horror de cinzas na tela. De trago em trago somos expostos à fumaça das liberdades individuais. Não existem motivos para expelir o ato de fumar da tela quando por tantas décadas foi imposto como algo transgressor e charmoso. Os jovens fumar diante da tela (e fora delas) é a forma de mostrar para os “adultos” que eles falharam e não conseguiram o mínimo que foi requerido a eles quando prometeram cuidar da inocência das crianças.

Suas crianças estão queimando carro no asfalto quente e aproveitando o fogo da fuligem em brasa para acender cigarros de tabaco e maconha para simbolizar com a fumaça branda que sai dos pulmões juvenis o fracasso quanto sociedade de um mundo feito por adultos para adultos que esquecem que as crianças estão crescendo.

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E crescer quase nunca significa que é para cima.

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