CENSURA: Polêmica com encadernado de Vingadores aponta uma Sociedade ultrapassada e doentia | Editorial

Ocorre no Rio de Janeiro/RJ a Bienal do Livro, e com ela inúmeros livros, quadrinhos, produtos literários são apresentados e vendidos ao público em geral. E com tanto material bom a ser tratado, noticiado, uma conduta isolada, retrógrada, mas que representa uma parcela da sociedade, ganhou espaço, virando assunto polêmico e desnecessário.

O Prefeito da Cidade, Marcelo Crivella, ligado a ala ideologicamente conservadora e cristã solicitou que uma edição encadernada de Vingadores: A Cruzada das Crianças, fosse retirada por apresentar conteúdo sexual “inadequado”, “impróprio”. Confira o vídeo divulgado pela conta oficial do prefeito:

Mas que “danado” de conteúdo seria esse??? Que causou tanto receio ao governante daquela cidade, o fazendo se preocupar com páginas quadriculadas??? Pois bem… Nós iremos trazer esse conteúdo “super-infâme”:

Isso só não aconteceu, propriamente dito, pois a HQ da Marvel se esgotou em menos de 1 hora no evento.

Nos últimos meses, o Brasil trocou as suas cores e tudo o que elas representam, por um tom sombrio e tosco, onde a intolerância e o desrespeito encontraram corações ausentes de amor, postulados por uma fé atípica do que Cristo prega.

Algumas coisas nos chamam a atenção para o causo, dentre elas, se um agente público, um prefeito, neste caso, não tem mais o que fazer ou se preocupar. Não vemos essa comoção com as mortes violentas, ou com os doentes em macas, sem leito; hospitais sem medicamentos; escolas sem estrutura, ou a falta de aulas no colégio público mais próximo. Não vemos isso, com os inúmeros desempregados, pais de família sem condições de prover o seu lar, ou os assaltos aos cofres públicos empreendidos por este ou aquele Governo, mas vemos uma grande fumaça para algo inerente ao ser humano, a sua individualidade, a sua sexualidade, o seu ser social.

É simples, se você não quer comprar o produto, não compra… Pronto!!! Mas mandar lacrar, tomar, retirar um livro – um livro – por apresentar ideias diferentes da sua, é no mínimo “estranho”. Obviamente, a sua Excelência, o Prefeito Marcelo Crivella, se achou ofendido pensando em seu eleitorado, e não por ser um homem “bom”.

Agora debatamos sobre a cultura nerd, sinceramente, o relacionamento entre Wiccano Hulkling, tratado nesta HQ é mais uma história, como qualquer outra em nosso meio. Ou quando você vê os X-Men sendo perseguidos por apresentarem o Gene-X, o gene mutante, o que os torna tão diferente, você realmente acredita que não é uma analogia ao nosso Mundo real, ao homem que apresenta um gênero diferente ao seu, uma etnia diferente a sua, ou a uma crença “oposta” a sua. É quase inconcebível, alguém que se intitula nerd, ser preconceituoso. Afinal, a famigerada família mutante dos quadrinhos da Marvel, os X-Men é a própria celebração a humanidade.

Em nota oficial, a Bienal do Rio reafirmou a pluralidade do evento e reforçou o direito dos consumidores de trocarem livros cujos conteúdos não agradam, confiram:

A Bienal Internacional do Livro Rio, consagrada como o maior evento literário do país, dá voz a todos os públicos, sem distinção, como uma democracia deve ser. Este é um festival plural, onde todos são bem-vindos e estão representados. Inclusive, no próximo fim de semana, a Bienal do Livro terá três painéis para debater a literatura Trans e LGBTQA+.

A direção do festival entende que, caso um visitante adquira uma obra que não o agrade, ele tem todo o direito de solicitar a troca do produto, como prevê o Código de Defesa do Consumidor.

Precisamos, portanto, revisitar o significado de ser nerd/geek. Não é a opção sexual, o gênero, a cor, a etnia, o credo, a classe social de nossos personagens que nos tornam apaixonados pelo Universo, mas pelo herói, a princesa que ali está, pelos seus valores morais que carregam pela a humanidade sua, tão próxima a nossa. Precisamos compreender que vivemos numa sociedade heterogênea, compreender que precisamos conviver e amar o diferente, apesar de suas escolhas serem diferentes da minha, da nossa. Pois essa tal diferença, nos faz únicos.

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