Coringa | Crítica

Por vezes, achei que eu não fosse real

Longe de ser uma adaptação semelhante ao gênero, o filme “Coringa” da Warner Bros. é carregado de um drama social perturbador com requintes de loucura, um longa onde vemos a evolução de um já afetado Arthur Fleck (Joaquin Phoenix) no famigerado e icônico vilão, Coringa.

Quando analisamos os acervos bibliográficos sobre a fictícia Gotham City, enxergamos uma cidade dividindo o protagonismo com o Batman, no filme Coringa, isso também ocorre perfeitamente: um homem perturbado, dentro de uma metrópole depressiva, cruel e exponencialmente doentia, levantando, então, vários questionamentos sociais e psicológicos sobre a conduta do ser humano no meio do qual se insere.

E diante dessa Gotham suja, repleta de ratos, é impossível não traçarmos um paralelo com as grandes cidades no Mundo. Abismos sociais, falência das principais instituições democráticas, homens subjugados, diminuídos, esquecidos pelo Estado, e completamente jogados a sorte, beirando a loucura… e Arthur, encontra-se nesse Universo.

A preocupação do diretor Todd Phillips com a construção dessa Gotham é extremamente maravilhosa, impecável, sim! Principalmente com o material que servira de inspiração, os quadrinhos da DC em que o nosso personagem principal é retratado, para caracterizar essa perversidade transbordante, separamos pequenos detalhes para você refletir sobre essa Gotham: faz-se necessário pôr grades em caixas de correspondências – não se impressionou com esse mísero detalhe?! –. Vamos para outro: Crianças, jovens, agridem alguém que estava trabalhando, sem motivação alguma aparente, nem financeira.

O roteiro de Phillips e Scott Silver também leva o espectador a enxergar consecutivamente os gatilhos psicológicos nessa dinâmica transformação de Arthur no Coringa. Denso e perturbador, os escritores trilham um caminho sem volta, mas pertinente para Arthur Fleck, que irá crescer nessa cidade…

E falando sobre o nosso protagonista, ele é uma pessoa que se esforça para superar as dificuldades, dentre elas, as psicológicas e financeiras. Possuindo um passado doentio, sofre com um distúrbio raro, que o faz rir, mesmo em situações onde não vê nenhuma graça. Fleck é um homem esquecido no tempo e espaço, e que por vezes, achou que nem fosse real. Morando com a sua mãe, num estado frágil, debilitada, dependente de sua ajuda, Arthur trabalha como palhaço, fazendo propagandas, segurando placas nas ruas, animando doentes em hospitais e sonha ser um comediante.

Sinceramente, quando o filme foi anunciado ainda lá atrás, não sabíamos o quanto essa produção poderia ser poderosamente especial, afinal, as adaptações da DC no cinema não vinham bem. Logo, as expectativas sobre Coringa eram ligeiramente baixas, mas paulatinamente as impressões foram mudando, principalmente com o anúncio de Joaquin Phoenix no papel principal. Com uma atuação magnífica, extasiante, Phoenix virá como forte candidato a levar o Oscar 2020, muito pela entrega ao personagem, nos fazendo entender quadro-a-quadro os motivos desta transformação. O personagem evolui ali, bem na nossa frente de forma que mesmo que todos saibam em quem ele vai se transformar, ainda assim ficamos paralisados, “roendo as unhas”, ansiosos por estarmos vendo tudo acontecer.

Com uma fotografia fantástica, negra, quase que sombria, Coringa que nos mostra uma Gotham City decadente, ainda nos deixa mais tensos – quase que forçados a não se levantar nem pra ir ao banheiro -, uma trilha sonora densa, nos envolve de uma forma sem igual, perfeita… O filme é um trabalho fantástico e bem conduzido por Phillips e Cia, que tinha como maior feito os filmes da franquia “Se Beber Não Case” e agora dá um salto inimaginável que pode levá-lo a indicação e talvez até ao prêmio do Oscar em 2020.

Coringa com certeza foi um dos mais aguardados filmes do ano e mesmo tendo gerado muitas polêmicas [Saiba Mais], nós super-indicamos. Pedimos que mantenham a mente aberta, pois não é um filme, ou um jogo, ou livro que vai transformar uma pessoa num lunático, mas ao que nós podemos ser expostos dentro de nossa sociedade.

Classificação: 

  • Mergulho Sombrio?! – Saiba Mais.
  • Joaquin Phoenix teve medo em aceitar o convite? – Saiba Mais.
  • Veja o trailer final de Coringa – Saiba Mais.
  • Coringa: Como versão de Phoenix reagiria ao encontrar o Batman? Ator responde – Saiba Mais.

Coringa chegou aos cinemas no dia 3 de outubro de 2019.

Por Amauri Alves e Humberto Gondim

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One Reply to “Coringa | Crítica”

  1. Filme excelente. Esse mergulho no distúrbio mental fazendo uma ponte com o caos social retratado em Gotham foi feito com zelo. Parabéns à equipe pelo olhar detalhista sobre o filme

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