Entendendo “Brazil – O Filme” e “O Que É Cinema?” | Artigo

Entrando em cartaz na próxima quinta-feira (02/09) no catálogo do Belas Artes à La Carte, temos dois exemplares distintos mas que com um pouco de força conseguimos ver uma ligação específica entre eles. Falo do subestimado “Brazil – O Filme” do tão eloquente Terry Gilliam e o documentário hermético e introspectivo “O Que É Cinema?” do Chuck Workman.

Brazil defende um tipo de cinema que há muito tempo estava com seu fim decretado. Um cinema megalomaníaco e excessivo quando se trata de referências. Um cinema que estava com seus dias contados se não fosse o “BOOM” que Hollywood teve quando o cinema de super-herói, enfim, se tornou mainstream logo no começo dos anos 2000.

Brazil é o típico filme épico que parece não encontrar limites narrativos, e quando isso se funde com a personalidade ingênua de realizador que Gilliam parece que estamos adentrando numa caixa de pandora cinematográfica onde os meios e os fins não fazem tanto sentido de serem absorvidos.

Em contrapartida a tudo isso temos o documentário onde Chuck Workman até tenta tecer comentários sobre o cinema como arte de vanguarda mas fica preso em uma defesa à uma estética especifica da sétima arte. A estética avessa ao cinema comercial nunca foi algo enfraquecido, mas bem lembrado no filme do Workman o quão periférico se tornou fazer cinema autoral e distante das normas pré-estabelecidas pelo sistema hollywoodiano – e até mesmo os grandes outros núcleos de produção cinematográfica que não estão exclusivamente na América.

A comparação mais lógica para se fazer é sobre o amor ao cinema que ambos trabalhos compartilham. Em “Brazil – O Filme” é o amor pelo fazer cinema na prática enquanto que no documentário “O Que é Cinema?” mostra o papel de importância dos artistas independentes na manutenção da relação cinematográfica dos indivíduos que buscam experiências quando vão pra sala de cinema.

Brazil não conseguiu sucesso quando foi lançado, sendo um fracasso financeiro que resultou no fracasso artístico do seu diretor. Mas é vendo o que o filme se tornou agora o tempo foi favorável e um filme que estava diante de seu inevitável ostracismo agora colhe louros tardios mas justos no retroativo temporal.

E afinal, “O Que É Cinema?” Bem, essa pergunta Chuck Workman vai continuar fazendo por um bom tempo, mas felizmente terá sempre respostas prazerosas de serem vistas como a do saudoso Jonas Mekas ou até mesmo do incorrigível Mike Leigh

 

Acho que merece um Amém…

Amém!

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