Era uma vez em… Hollywood (2019) | Crítica

O nono trabalho do cineasta Quentin Tarantino desembarcou nos cinemas brasileiros no último dia 15 de Agosto e promete arrancar suspiros, dividir opiniões e não nos fazer esquecer das ações incoerentes e distorcidas, que nós, homens, podemos cometer, quando levados propositalmente ou não, a ideais surreais sobre a nossa própria existência, beirando a loucura extrema e a utilização da violência para assegurar isso.

Era uma vez em… Hollywood”, da Sony Pictures e Columbia Pictures, propõe uma abordagem metalinguística-satírica do universo cinematográfico americano nos anos 60, beirando a falência do gênero faroeste e suas devidas consequências no mundo artístico. Entretanto, o que mais irá chamar a atenção será a inclusão do caso mais estarrecedor naquele universo, a série de crimes que chocou Los Angeles, EUA; ocasionada por uma seita religiosa, liderada por Charles Manson que arrancou vidas num dos bairros mais importantes daquela cidade, com destaque para a atriz Sharon Tate (Margot Robbie), que encontrava-se grávida de oito meses e na época era casada com o diretor Roman Polanski. O crime chocou a todos no Mundo pela brutalidade, e mais tarde, pelas motivações inconsistentes do bando.

Sobre a metodologia utilizada na trama, ela é extremamente condizente com seu diretor-escritor. Uma linguagem sem superficialidades, ligeiramente arrastada (O que pode ser confundido em alguns momentos com falta de clareza e objetividade), repleta de detalhes, noutros momentos ortodoxas e até descrente, mas que leva a assinatura claramente de Tarantino.

E apesar de “Era uma Vez em…Hollywood” se localizar na década de 60, as suas propostas são bem atuais, algumas ocasionados pelos dilemas morais, tão inerentes aos homens, e outros alimentados pelas correntes ideológicas presentes em nosso tempo, como o fundamentalismo religioso, política de extremismo e preconceito, de modo geral.

Era uma vez em… Hollywood” é o tipo de filme, sem tipologia, pensado “fora da caixinha“, o que de fato, encontra-se em extinção nas produções cinematográficas contemporâneas repletas de remakes e reboot’s. Entretanto, a escolha de Quentin em não retratar o final como esperado pode proporcionar  uma confusão entre historiadores ou sabedores do caso. O que pode comprometer a história. Certo?! Errado, pois onde ficaria a licença poética do escritor, uma produção artística não tem obrigação nenhuma com fatos reais, caso fosse, não teríamos filmes de heróis, de princesas e mundos fictícios. Correto?! Portanto, defendo tal final alternativo para o massacre de Manson, posso até não concordar, mas não vejo um grande problema para trama. Confesso que achei muito mais  preocupante com a falta de ritmo, em alguns momentos, do longa.

O charme trazido pelo longa também está em sua ótima trilha sonora, figurinos, maquiagem de época e fotografia. É de arrancar suspiros!!! Me atrevo a dizer que daí virar alguns prêmios na festa do Oscar 2020. Pontos técnicos importantes para o desenvolvimento da trama, afinal faz você revisitar aquele período histórico, de maneira gradual e divertida, como é proposto no filme.

O ápice do filme encontra-se em seu belo elenco, com personagens fictícios aos reais apresentados mas super-importantes, “Era uma vez em… Hollywood” nos presenteia com incríveis atuações, do ator e dublê na trama, Rick Dalton (Lenardo DiCaprio) e Cliff Booth (Brad Pitt), respectivamente. A  personalidade de ambos é o destaque, com o drama que lhes são peculiar, com a inteligência artística e elegância entre uma cena e outra. Na outra ponta, está Margot Robbie – Será que Temos uma nova estrela do cinema atual? – Essa jovem rouba a cada quadro em que se insere, isso tudo com uma extrema facilidade, algo já presente nos filmes – Esquadrão Suicida (2016), A lenda de Tarzan (2016), Golpe Duplo (2015).

Pelo conjunto da obra, “Era uma vez em… Hollywood” encabeça o protagonismo dos filmes exibidos esse ano, obviamente ainda é cedo, pois os longas que irão ao Oscar tem o costume de serem exibidos nesse segundo semestre. Mas não duvidem da força de Quentin Tarantino e seus trabalhos no grande evento. O filme não possui uma perfeição, mas um primor peculiar, executando lições que destacam a trama. É o filme que chama a atenção da Academia, dos críticos do segmento. É o que Hollywood gosta. E sim, é o que também nós gostamos.

Classificação

“Era uma vez em… Hollywood” foi lançado nos cinemas brasileiros no dia 15 de Agosto e encontra-se em cartaz.

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