Eu Nunca… – 2ª temporada (2021) | Crítica

Programas “teens” tem prazo de validade. O histórico afirma isso. Você, caro leitor, pode ser uma pequena amostra disso: Quantas séries, filmes, franquias você pôde acompanhar e o seu interesse logo se esgotou? Pois bem… Pra corroborar essa assertiva, por exemplo, a própria Netflix tem promovido vários cancelamentos de seriados nesse sentido. Mas qual seria o problema desse subgênero? Pra começar… A completa falta de habilidade em compreender que o adolescente não é um “panaca”, mas um ser humano completamente normal – talvez com pouca experiência de vida – mas alguém passível a cometer erros, acertos, chorar, rir. E essa falta de humanização nos personagens, ou associar eles a problemas desconexos e sem valor, tornam os programas mais do mesmo. Contudo, ‘Eu Nunca…’ parece uma sombra nesse vasto deserto, superando as expectativas e as suas diretrizes básicas.

Inspirada na obra criada por Mindy Kaling e Lang Fisher, “Eu Nunca…” narra os arrojos da caricata Devi Vishwakumar (Maitreyi Ramakrishnan) lidando com muitos hormônios, erros joviais, família, amores e sim, o luto. Para muitos, esse é o verdadeiro sentido da vida. E o programa perfeitamente narrado por John Mcenroe entrega tudo isso. Obviamente, não estamos lhe lidando com algo excelente. Como por exemplo, desatar o nó entre a primeira e a segunda temporada levou um certo tempo, criando nos primeiros momentos desinteresse [confundindo-se com outros programas do gênero]. Porém, quando o seriado se dispôs a arguir sobre a família, e os erros de Davi, ‘Eu Nunca…’ se encontrou.

Esse drama, mesclado a boa comédia, nos faz sentir empatia, a tentar enxergar logo o desfecho dessa narrativa. Posso destacar também que compreender o “luto” da personagem principal, a forma como a sua mãe, Nalini (Poorna Jagannathan) tenta solucionar os “abacaxis” denotam algo extremamente significativo. Mas a série não para por aí, em termos de aceitação, de tentar descobrir quem você é, ‘Eu Nunca…’ dialoga sobre vários fatos relevantes. Seja o machismo estrutural, distúrbios alimentares, ou sobre a sexualidade e a necessidade de entregar respostas a outros grupos sociais. Não basta o preconceito dos diferentes, problemas podem ocorrer no próprio meio, e se perder, é algo extremamente fácil. O programa Netflix é um verdadeiro banquete multifacetado e equilibrado entregues ao espectador.

Obvio que a parte mais “cafona” é o triângulo amoroso entre Davi, Paxton Hall-Yoshida (Darren Barnet) e Ben Gross (Jaren Lewison). O que claramente nos faz criar referências ou cair nas mesmices de outros programas, mas ‘Eu Nunca…’ tenta lidar com tais situações abraçando a “breguice”, aceitando-as e sim, oportunizando a confusa vida adolescente.

‘Eu Nunca…’ tem nos personagens satélites esteiras confortáveis, mas sem sombra de dúvidas, Ramakrishnan é a estrela do programa. Afinal, ela foi conduzida para isso, mas ser, são coisas totalmente diferente, e ela consegue com genialidade.

Com boas técnicas cinematográficas aplicadas, direção interessante e de um roteiro ligeiramente equilibrado, esperamos sim pela terceira temporada do programa. O que mais está por vir na vida de Davi? Mas, é importante afirmar que ‘Eu Nunca…’ tem prazo de validade sim, apesar de mais interessante que outros do gênero, portanto, esperemos que se fechem os arcos de maneira bela e desejável.

 

Classificação:

Veja outras críticas nossas, de produções da Netflix:

Sob o comando de Mindy Kaling e Lang Fisher, a primeira e segunda temporada da série “Eu Nunca…” encontra-se disponível na Netflix.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *