Expectativas e frustrações em meio audiovisual e games

Quando o tiro sai pela culatra…

Se tem uma situação que todo mundo já passou, quanto à filmes e séries foi exatamente, esperar anos e anos para que pudesse sair, e quando sai, não é bem o que imaginávamos. A frustração e a responsabilidade que cada obra carrega, determina muitas vezes a continuação da série, produção cinematográfica ou o público de frequentar os shows/escutar o álbum ou simplesmente o jogo não agradou.

Dizem as más línguas que quanto mais expectativa é posta, mais incerta é a sua avaliação. Lembremos primeiramente de Cyberpunk2077: existia uma hype muito grande sobre o jogo, além dos memes que rolou solto sobre “estar bem avançados quanto aos anos em ideia e tecnologia”. Foi anunciado em 2012 e lançado em 2020, com orçamento de mais de U$300 mi. Houveram tantas mudanças de calendário, além do atraso por conta da pandemia, que quando foi lançado (com muita pressão do público também, ao dizer que realmente sairia em 2077), sua avaliação foi de cortar o coração. A sensação foi de que lançaram por pressão imposta e estavam dispostos a resolver os bugs durante o uso do jogo. O que sinceramente, sabemos que é terrível. No Metacritic, recebeu uma nota baixíssima, como 7,1 pelos usuários. Para quem esperava um jogo muito promissor, Cyberpunk foi uma decepção para quem esperou tanto tempo. E ainda rendeu uma perda de suas vendas na Playstore, que a Sony retirou da plataforma por problemas técnicos e de gráficos.

Ao mundo cinematográfico, temos muitas vezes, filmes de super-heróis na linha tênue da exigência versus expectativa. A grande verdade é: estávamos todos empolgados para ver todas as obras que viemos acompanhando com maestria impecável, e encaixar atores para determinados papéis, segue como um roleta russa na indústria do cinema. Duas situações: há quem diga que o ‘miranha’ do Garfield seja ruim. Existem outros que o Maguire não tinha nada com o Parker (só a cara de sofrimento mesmo, mas todo mundo foi pego de surpresa com sua dancinha na versão ‘dark’. Daremos à César o que lhe pertence, por favor!) e que o Holland seja um exímio Homem-Aranha, mas seria ele feliz, sem todos os acontecimentos que o faria ter noção que grandes poderes, carregam grandes responsabilidades. O que justifica isso é justamente sobre o multiverso (Alou, Marvel, já estamos com nossas cadeiras do cinema à postos) e sobre qual dos personagens nos identificamos.

Quando falamos sobre cinematográfico, houve uma expectativa TREMENDA com Esquadrão Suicida, a preparação, rumores dos bastidores, sobre o elenco de peso, sobre o desenrolar da história… E foi um grande desperdício (desculpe a DC, mas…). A coisa mais esperada foi a performance do Coringa como um grande marco, mas quem roubou a cena foi Margot Robbie com sua Harley Quinn. Tantos desenrolares de história ficaram secundária, quanto a atuação de Leto deixou à desejar (venhamos e convenhamos, é melhor ator que cantor, vide outras obras, como o Clube de Compras Dallas), além de que foi um dos papéis ruins no currículo de Will Smith. Para se ter uma noção, a trilha sonora foi bem melhor que o filme em si.

No universo musical, temos duas cantoras que se destacam muito pelas promessas, que são Rihanna e Lady Gaga. Rihanna parece que cansou de produzir música para produzir sua própria linha de maquiagem, de estar envolvida com moda e porquê não, ajudar outras pessoas (que influencer!)?O seu último álbum ANTI foi em 2016 e isso já até virou meme, que muitos brasileiros vão em seu perfil e perguntam “E o álbum, RiRi? Quando sai?”. A incerteza sobre Rihanna e seu novo álbum revela uma ansiedade do público em consumir novas coisas o mais rápido possível (graças à internet, para os artistas, virou uma faca de dois gumes). Até agora, não se sabe o que será: se aposentou da indústria da música, se vai aumentar mais ainda sua fortuna (junto com Beyoncé, sua fortuna é avaliada em mais de 1 bi) ou simplesmente está mais dedicada aos projetos filantrópicos de educação que possui (você sabia que ela disponibiliza bolsa de estudo para pessoas que não possuem condições de pagar? Sabiam que brasileiros são eletivos também?). Estaria Rihanna, nos dando uma lição de moral para esquecer e dar continuidade aos seus projetos?

Já Lady Gaga, prometeu um “Continua” no clipe de Telephone, em 2009 e nada até agora. A mesma cobrança de Rihanna quanto ao novo álbum é também imposta para a continuidade da faixa do álbum Fame Monster. A artista já passou por vários experimentos, como álbum de Jazz junto com o querido do Tony Bennett, assim como fez algo bem mais intimista com Joanne, se jogou no ArtPop, criando e reforçando um novo conceito de arte (e performance), e claro, com o último álbum, Chromatica, trouxe colaborações muito pertinentes com mistura de eletrônica, além de muitas referências em clipes. Mas o gostinho da vontade foi literalmente no Rock In Rio, quando Gaga precisou se internar e cuidar da sua recém descoberta de fibromialgia. No meio tempo em que esteve no turbilhão de atividades, lançou também a sua marca de cosméticos, a HausLab, que desde 2012 está na ativa. A Star Is Born e Houseof Gucci, além do seriado American Horror Story foram os seus projetos pessoais junto às produções audiovisuais.

A grande pergunta é: será que com acesso às obras anteriores, comentários em fóruns de internet, os contatos com as redes sociais de artistas (que diminui a distância para com eles), nos tornamos mais exigentes nesse mercado? Ou nossas expectativas criadas acabam com a experiência de consumir determinada produção, nos tornando pessoas ignorantes ao não entender o conceito em si? Boas e más línguas dizem que é bem melhor criar um animal que criar expectativas, mas sabemos que até mesmo, nós como público, podemos prejudicar nossa própria experiência com a exigência exacerbada, além de que o artista deve ter uma pausa para poder se renovar e atender os compromissos. O tiro pode sair pela culatra não somente pela parte de produção, mas também pelo público, e sugar os artistas pode causar esgotamento e nenhum aproveitamento. Estejamos também abertos às adaptações necessárias (somente o necessário) em questões dessa febre de novas obras que estão prometidas, pois quem não cria essas expectativas, não se frustra (e nem os outros com spoilers e fazendo críticas).

Acompanhem as críticas de games, seriados, filmes do nosso SiriNerd após a obra. Nada melhor que ter a própria experiência sem influência externa. Saberíamos ‘degustar mais’ com esse discernimento.

Criem gatos, mas sem expectativas, ok?

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