Jóias Brutas | Crítica

“Joias Brutas, (Uncut Gems, no original), é exatamente o que seu título descreve: Uma Jóia bruta”

A nova aposta da Netflix, com Adam Sandler, é uma das melhores produções de 2019 e um dos filmes injustamente esnobados pelo Oscar 2020.  Mas, o que faz dele um filme tão bom assim? Confira prévia legendada:

Jóias Brutas teve sua estréia mundial no Festival de cinema de Telluride em 30 de agosto de 2019, sendo também exibido no Festival Internacional de cinema de Toronto em 09 de setembro de 2019, e finalmente lançado nos Estados Unidos em 13 de dezembro de 2019, e internacionalmente pela plataforma de streaming da NETFLIX, em 31 de janeiro deste ano.

O filme nos remete ao universo da agiotagem e das máfias modernas, orbitando ao redor de uma trama onde o vício por jogatina e apostas determinam os tumultos e dissabores do protagonista em sua jornada. Neste contexto, Sandler é Howard Ratner, um joalheiro judeu vigarista, um trambiqueiro que ‘dá nó em pingo d’água‘ e notadamente, não sabe administrar os problemas que lhe surgem, deixando que seu vício em jogos de azar, conduza o andar da carruagem em sua vida pessoal e profissional; vivendo em um ciclo vicioso de enroladas, enganações, negociações questionáveis, mutretas com dinheiro e apostas descabidas.

O desdém à moralidade apresentado pelo personagem, sua inquietude, antipatia, grosseria e imediatismo exacerbado, nos leva ao ponto alto de um Adam Sandler para o qual nenhum de nós estávamos preparados para ver.  E é exatamente por seu fator surpresa que o novo drama dos Irmãos Safdie é uma das melhores coisas que o cinema nos proporcionou em 2019; e nos faz percorrer os dissabores de uma vida atormentada e frágil, de um homem melancólico, que não teme a morte, embora a confronte a cada situação na qual se envolva. E aqui, Sandler entrega uma atuação magistral, diria mais,.. Digna de Oscar.

E é com essa intensidade narrativa, que Jóias Brutas nos deleita com uma experiência peculiarmente alucinante, como se fôssemos absorvidos ao espiral de sensações vivido pelo protagonista, desde o princípio, na mina da Etiópia, onde a opala (a joia bruta em questão) é encontrada e ligada à vida de Howard Ratner (Sandler) para sempre.

A trilha sonora de Daniel Lopatin, por sua vez, carrega ainda mais o filme com aflição e inquietude, aparentando manter a história presa em um ciclo doentio, no mundo no qual  Howard se insere.

Até as cenas de possíveis “alegrias e prazeres” parecem ser construídos com tensão pela direção dos Safdie, a exemplo do momento em que Howard observa Julia (Julia Fox) de dentro do closet. Enquanto pela visão de Howard o espectador consegue assistir por uma fresta, vemos nos detalhes dos olhos, da postura e das mensagens no celular, a inquietude de um suspense.

A agonia apresentada em Joias Brutas é incessante, genuína, raivosa e intensa.

No último ato, desse filme frenético, nos damos conta de que a mensagem em enfoque, de fato, é o conceito do estrago que o vício proporciona a vida de uma pessoa. Vemos notadamente que ao tomar tais atitudes, que pra muitos seria descabida e por vezes até irresponsável, o personagem não demonstra sofrimento, não sente remorso e nem se importa com as consequências para ele ou para as pessoas em volta, não pelo fato de que seja frio, calculista ou imaturo a ponto de ignorar tais situações, mas sim por se tratar de um viciado, afinal a doença é o seu guia.

É indiscutível e acertada a escolha de Sandler para o papel de Howard; já que fica evidente que o carisma cultivado por ele em seus papéis anteriores, ponha o público a seu favor, independente das posições nitidamente controversas tomadas pelo personagem.

Classificação:

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A estreia de Jóias Brutas ocorreu no dia 31 de Janeiro na Netflix.

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