Maligno (2021) | Crítica

“Maligno”, da Warner Bros., é um filme analógico. Toda sua estrutura está baseada em uma conduta de reflexão sobre antigos artifícios do cinema de horror e como eles podem ser utilizados em uma época onde os sustos deixaram de ser objetos diretos de emoções e viraram fórmulas baratas e fáceis de serem reproduzidas na tela.

O que temos aqui é na verdade uma bela e louca homenagem a um tipo de cinema (o saudoso e delicioso Slasher) que se perdeu com o passar do tempo e que sobrevive com migalhas de referências em obras que não negam sua existência mas não sentem uma verdadeira vontade de enaltecer o material base que estão se inspirando.

James Wan é um bicho esperto, e quando ele escolhe negar toda e qualquer tecnologia para que o filme seja explicado por fitas VHS é aí que fica claro o que está acontecendo. A estática junto com a ineficiência da modernidade tecnológica é o catalisador para que nos sintamos em um filme que está interessado em ser perdido no tempo e que na verdade parece estar navegando lunarmente por diferentes realidades de um mesmo universo cinematográfico.

A cena da cadeia é perfeita para entendermos onde estamos nos metendo nesse novo filme do James Wan: estamos dentro de uma cela com a protagonista e junto com ela estão a mais variada gama de mulheres. Mas essas mulheres não são apenas diferentes pelas vestimentas ou posturas, elas são de estéticas diferentes, como se estivéssemos vendo várias épocas juntas em um único local. E o assassino faz questão de matar década por década como estivesse decretando o fim do passado e um novo rumo para o futuro de um gênero tão mutante e tão inventivo quanto esse.

É tudo confuso aqui, mas é exatamente essa sensação que Wan quer que sintamos e o ideal é ir assistir Maligno com a mente aberta e ciente que tudo aqui é propositalmente feito para ser exagerado.

Pauline Kael em seu antológico ensaio sobre cinema trash soltou a inesquecível frase “O lixo nos abriu o apetite para a arte.”. Não que esteja chamando Maligno de lixo ou se encaixe na estética trash, mas ele é aquele fast-food bem gorduroso que a gente precisa de vez em quando para o corpo se sentir bem pelos motivos errados.

 

Classificação:

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Sob o comando de James Wan, o filme ‘Maligno’, da Warner Bros., chegou às telonas.

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