O cinema em thrillers tecnológicos

Thrillers políticos são difíceis de se trabalhar porque além de conversar com a era que estão inseridos eles precisam ser relevantes sobre o que querem falar ou explorar. Mas dentro desse gênero tão difícil existe um subgênero que são poucos diretores que conseguem transformar em algo moderno sem que se tornem datados com o passar do tempo: Os Thrillers Tecnológicos.

A questão da tecnologia precisa ser desmistificada como algo que envolve hardware para que percebamos no final do processo ela é algo mais metafísico para a finalidade de transformar processos em resultados – independente de como eles vão aparecer.

O primeiro grande filme desse gênero se baseia ainda na visão retrô que para ser moderno precisa ser mostrado com algo físico. A Conversação, de Francis Ford Coppola, é um dos melhores filmes desse tão obscuro gênero e ele foi feito numa época onde nossas percepções de tecnologia ainda se baseiam em algo institucional. O que torna esse filme tão cultuado hoje em dia é como Coppola consegue transformar todas as questões de uma paranoia social com o novo (no caso as possibilidades da época de apetrechos tecnológicos) em algo universal e que consegue conversar com todas as épocas que o filme se encontre como, por exemplo, hoje quando a tecnologia se mostra bem mais uma arma que uma aliada da população,

Mas foi preciso alguns bons anos (4 décadas para ser mais exato) para que o gênero, enfim, encontrasse sua forma definitiva com o tão eficiente “A Rede Social”, de David Fincher. O que temos na história do criador do Facebook é um filme feito em plena era Obama onde chegou ao conhecimento universal de como o governo estava alinhado para espionar e usar todas as informações que tinham contra aqueles que eles deveriam proteger.

A diferença de ambos filmes está mais na perspectiva do momento que estão inseridos do que das ferramentas que criticam. A paranoia social é a mesma. A tensão política não parece melhor ou controlada. O que temos em mãos são comentários que nem precisam ser reciclados ou reformulados de forma agressiva para que conversem com as pessoas que ousem assistir essas obras e permitam serem transtornadas com elas.

O gênero não possui muitos títulos por se tratar de algo que além de específico demais também é difícil de ser trabalhado em sua totalidade. A tecnologia é algo que sempre esteve presente na vida dos seres humanos, mas essa visão dos males psicológicos que ela causa no convívio social é recente e – por incrível que pareça – pouco explorada.

Com o avanço da globalização da internet estamos mais perto de ter títulos diversos desse gênero como uma coisa recorrente e quem sabe ele adentre ao imaginário coletivo de uma forma que se torne algo que, além de fácil compreensão, tenha uma postura transformadora socialmente.

Eu sei que não devemos esperar que arte tenha papel educacional. A arte não é objeto de instrução mas sim de digressão. Porém, todavia, entretanto, não deve-se fechar os olhos para o engajamento social que grandes palcos podem ter. E as mudanças de comportamento social e até mesmo de postura são possíveis com isso.

O que eu espero que aconteça com a ascensão dos thrillers tecnológicos? Que percebamos que é preciso ter uma postura de cuidado e não sempre de prazer com as ferramentas que as tecnologias nos proporcionam. Estamos em constante perigo e sendo observados a cada passo que damos na vida real e no mar incontrolável da rede de computadores. E os filmes desse gênero servem de alerta para o que pode acontecer conosco.

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Enfim, atualizem seus antivírus.

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