O Legado de Júpiter – 1º temporada (2021) | Crítica

A leitura sobre os super-heróis está em alta no mercado, seja nos quadrinhos, nas séries de TV, ou nos filmes. Nunca foi tão fácil “tocar” numa adaptação do gênero. O que, naturalmente, funciona como um indicador para aprisionar o público e a “grana” nessa loucura que é a industria cinematográfica, agora refém, da cultura pop. No entanto, apesar de todo esse aquecimento quase que inesgotável, apenas duas grandes editores travam a verdadeira batalha pelo amor dos fãs – DC e Marvel. Aos demais restam um ou outro sucesso. Logo, faz-se necessário apostar em algo “fora da caixinha” para lograr êxito, como por exemplo é “The Boys”, da Prime Video, que passa por filmagens em sua terceira temporada.

A Netflix observando o esquizofrênico Mercado desejou também trazer a existência uma família heroica para o seu catálogo, e quem sabe competir com os gigantes do setor. Logo, o streaming passou a apostar nos encadernados quadriculares de “O Legado de Júpiter”. Obra baseada nos textos homônimos de importantes quadrinistas do segmento, Mark Millar e Frank Quitely. Mas, será que essa opção foi interessante, quando convertida a um programa de televisão? Será que repetir fórmulas num mercado já “saturado” é o suficiente para garantir respeito dos fãs e da crítica nesse traiçoeiro universo? Essas e outras perguntas serão respondidas em breve, nas próximas linhas. Mas antes, confira prévia do programa:

Neste universo, seis homens valorosos conseguiram acessar um poder ilimitado numa ilha misteriosa, se tornaram super-heróis. 90 anos depois, cansados e com baixa expectativa sobre os rumos da humanidade, o líder da União, Utópico (Josh Duhamel) tem preparado o terreno para o seu filho o suceder, ante as crescentes forças do mal, que se veem no passado da equipe e em locais incertos no presente. 

Estamos vivendo o auge do gênero de heróis. Em 2019, por exemplo, “Vingadores: Ultimato” arrecadou quase US$ 2 bilhões. Tornando-se a segunda melhor bilheteria de todos os tempos. Logo, os demais entusiastas do capital vislumbraram também possuir uma fatia nesse pomposo mercado. Mas, atender um público exigente é um dos grandes entraves no negócio. E infelizmente, “O Legado de Júpiter” não conseguiu extrair do produto original o mesmo glamour e consideração. Com uma narrativa extremamente burocrática e previsível, a série da Netflix imprimiu tédio e mesmices ao espectador.

Para ser honesto, o começo do programa era promissor, mas a insistência num tema recorrente durante os oito episódios – seguir ou não os protocolos heroicos – tornou o enredo “chato” e sem a objetividade assertiva e desejada de produções de sucesso – literalmente, estavam “enchendo linguiça”.

“O Legado de Júpiter”, de Steven S. DeKnight, também depositou em discursos rasos, seu maior trunfo – o que pode ser traduzido como pura bobagem -, e por fim o programa não apresentou o novo, repetindo, portanto, fórmulas batidas, com um plus, não havia a presença do grande panteão de super-heróis da DC ou Marvel. Ou seja, vimos mais do mesmo e sem nada de especial.

E se há erros graves na condução da trama, no enredo em si, fatalmente o produto interferirá no trabalho das estrelas. O elenco bem que insistiu, mas a pobreza textual atuou como um buraco negro, consumindo as fracas ações de Duhamel e Leslie Bibb, respectivamente Sheldon Sampson/Utópico e Grace Sampson/Lady Liberdade. Mas se tem algo positivo na trama, podemos encontrar isso depositado na boa trilha sonora.

Sem criar boas perspectivas, a série Netflix terá um trabalho enorme para tentar se encontrar, se encaixar e cair no gosto popular. Precisará criar uma empatia pelos problemas dos seus personagens já apresentados, trazendo novos. Terá que criar tramas e subtramas importantes para o desenvolvimento de sua história ou estará fadada ao fracasso. Sem inovar, “O Legado de Júpiter” pode ter seus dias abreviados. Portanto, devamos torcer para uma excelente segunda temporada, ou nem uma mesmo boa, poderá salvar o live-action do “Millarverso”.

 

Classificação:

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A primeira temporada de “O Legado de Júpiter” encontra-se exclusivamente na Netflix.

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