O muro que nos divide

O muro que nos divide é igual aos muros de Berlim: são físicos e ideológicos. São uma representação do que nossa mente cria e traz à tona. Nos pegamos muitas vezes, vendo que algumas coisas fazem mais sentido no outro lado, temos a impressão também de ver a grama verde enquanto o nosso lado possuem apenas galhos secos.

Existem vários momentos que queremos chutar tudo e atravessar para o outro lado, mas o pior acontece com quem gosta de ficar nele. Um ditado antigo diz que “quem cala, consente”, por mais que pareça ridículo este ditado, é o que estamos vendo hoje em dia em situações onde intimamente, somos contra/à favor de algo. Sejamos honestos: todos somos hipócritas. E não há nada de mal admitir isso, faz parte da condição humana ser falho, assim como faz parte querer melhorar ou não neste sentido.

Como assim “não há nada de mal em ser hipócrita”? Ora, meus siris, é importante saber quem somos a cada dia que passa, seguirmos nossos instintos, intuição, gostos, preferências em geral – afinal, carregaremos uma culpa se ao acaso formos pessoas facilmente manipuláveis, mas carregamos também se formos manipuladores – e ser honesto consigo é no mínimo que pode se fazer em não ser hipócrita para si mesmo. Sabe aquela vontade pouca de fazer uma coisa e temos um anjinho e um diabinho? É exatamente isso.

Nós reprimimos nossos instintos e nos tornamos hipócritas para fazermos parte de uma sociedade da qual o seu maior objetivo é esconder essa condição. E olha que legal: fazer nossa própria dança pode acabar sendo um privilégio em meio às notas desordenadas, ao caos que ecoa em nossas mentes e olhos. No momento em que escrevo, fico repassando em minha cabeça a minha última ação bem parecida.

Ahhhh! A internet… O lugar mais saboroso para o karma fazer seu papel determinante do que vai, volta. É tão bom ver o quanto as pessoas recebem as respostas de seus atos… Mas, calma lá, mas se isentar não configura nenhum ato nem contra, nem a favor.

O isento é aquele espião duplo, que está do lado dele. Do que é conveniente, do que é prazeroso e confortável, do que é esperto e arredio, do lugar da vítima e agressor. O isento é a justiça dos injustos. E vejamos o nosso estado geral hoje: se abster foi uma facada no estômago. Vou levar à guilhotina os inocentes e dar para os culpados, uma razão para celebrar! Se abster é a pior das ações entre algo que é decisivo. Decidir é algo que devemos fazer e encarar os bons e os péssimos frutos, aprender com eles.

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De uma coisa é certa: se não optar um lado dele, vão derrubar você, escolhendo o outro.

Desce do muro. Destrua-o.

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