Oscar – O Brasil continua à espera | Artigo

Em tempos de Oscar, sempre surge a pergunta: Algum filme brasileiro já conquistou o Oscar? A resposta é não. As produções nacionais nadam, nadam, enxergam a praia de longe, mas ficam a ver navios. Chegam a ser indicados, tendo alguma chance, as vezes, mas nada de estatueta dourada. Como consolo, todos os indicados brasileiros passam a ser membros vitalícios da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood e podem anualmente escolher os novos indicados e vencedores. Sendo assim, confira os intrépidos tupiniquins lembrados pelo prêmio mais famoso da Sétima Arte.

O primeiro brasileiro indicado ao Oscar foi o clássico compositor Ari Barroso pela música Rio de Janeiro para a comédia romântica chamada Brasil (1944), uma produção de Hollywood que perdeu para a canção do filme O Bom Pastor.

Em 1963, O Pagador de Promessas foi indicado a Melhor Filme Estrangeiro, mas perdeu para o filme francês, Sempre aos Domingos. Primeira produção brasileira indicada na categoria.

O documentário El Salvador – Outro Vietnã conquistou uma indicação ao Oscar, em 1982. A produção teve dois diretores. O norte-americano Glenn Silber e a brasileira Teté Vasconcellos, num feito surpreendente. Teté se tornou uma das raras diretoras a ser indicada ao Oscar em toda a história. Situação que vem mudando apenas nos últimos anos.

Em 1986, o argentino, radicado no Brasil, Héctor Babenco, conquistou a indicação de Melhor Diretor, por O Beijo da Mulher-Aranha, que reúne a brasileira Sônia Braga, ao lado de William Hurt.

Nos anos 90, o Brasil teve uma série de filmes indicados na categoria de Filme Estrangeiro. Os filmes foram O Quatrilho (95), de Fábio Barreto, O Que é Isso, Companheiro? (97), de Bruno Barreto, Central do Brasil (98), Walter Salles. Com Central, a atriz Fernanda Montenegro foi indicada a Melhor Atriz Coadjuvante. A primeira brasileira numa categoria de atuação. Perderam para o filme estrangeiro A Vida é Bela (98), da Itália, e a atriz Gwyneth Paltrow, por Shakespeare Apaixonado.

Em 2001, Uma História de Futebol, Paulo Machline, foi indicado na categoria Melhor Curta Metragem. Claro que um brasileiro falando de futebol seria lembrando.

Em 2004, foi um grande momento do Brasil no Oscar. O aclamado filme Cidade de Deus (02), de Fernando Meirelles, participou com grande destaque, recebendo quatro indicações, sendo Melhor Filme, Melhor Roteiro Adaptado (Daniel Rezende), Melhor Fotografia (César Charlone) e Melhor Montagem (Bráulio Mantovani). Sendo os primeiros brasileiros em cada categoria. Curiosamente, o filme de Meirelles não disputou o prêmio de Melhor Filme Estrangeiro, embora estivesse bem cotado. No ano de Senhor dos Anéis – O Retorno do Rei, Peter Jackson arrasta todo o ouro possível da premiação.

No mesmo ano, Carlos Saldanha foi indicado na categoria Melhor Curta de Animação com Aventura Perdida de Scrat (Gone Nutty). Depois, foi celebrado a frente de outras produções como A Era do Gelo e Rio. Saldanha foi o primeiro diretor latino indicado na categoria. E, ainda, Caetano Veloso deu uma canja, apresentando a canção “Burn it Blue”, ao lado da cantora mexicana Lila Downs. A canção foi indicada pelo filme Frida, estrelado por Salma Hayek.

Em 2011, Lixo Extraordinário de Lucy Walker, João Jardim e Karen Harley foi indicado na categoria Melhor Documentário, focado no artista plástico Vik Muniz que inova ao produzir sua arte com lixo reciclado, além de revelar a realidade dos catadores de lixo no Rio de Janeiro.

Em 2012, a animação Rio (de Carlos Saldinha) rendeu a indicação de Melhor Canção para Real in Rio, prestigiando o talento dos brasileiros Carlinhos Brown e Sérgio Mendes.

Em 2015, O Sal da Terra, sobre o famoso fotógrafo brasileiro Sebastião Salgado, foi produzido por Lélia Wanick Salgado (esposa do biografado), ao lado de Andrea Gambetta e David Rosier, sendo dirigido pelo Juliano Ribeiro Salgado (filho, nascido na França e radicado no Brasil), em parceria com o diretor alemão Wim Wenders, mestre de obras como Paris, Texas (84) e Asas do Desejo (87). A produção foi indicada ao Oscar, na categoria Melhor Documentário, depois de vencer prêmio especial em Cannes.

Em 2016, foi a vez do filme de Alê Abreu, O Menino e o Mundo, que surpreendeu com uma indicação para Melhor Animação, sendo o primeiro brasileiro indicado na categoria. Disputando grandes com feras como Divertida Mente, da Pixar, e o queridinho da crítica, Anomalisa, de Charlie Kaufman. A Pixar confirmou o favoritismo naquele ano.

Em 2018, o produtor Rodrigo Teixeira teve teve seu filme, o drama adolescente Me Chame Pelo seu Nome, disputar Melhor Filme, além de Melhor Ator (Timothée Chalamet) e Melhor Canção, para Mistery of Love, de Sufjan Stevens. O filme conquistou o Oscar por Melhor Roteiro Adaptado, para o mestre James Ivory. Não se trata de uma produção nacional, mas Teixeira emerge como o primeiro brasileiro a disputar na categoria de Melhor Filme, junto aos produtores associados. No mesmo ano, o diretor Carlos Saldainha consolida seu espaço com O Touro Ferdinando, indicado a Melhor Animação.

Em 2020, no ano em que a produção sul-coreana Parasita, fez história no Oscar, vemos o retrato político de nosso país, conquistar uma indicação para Melhor Documentário. Democracia em Vertigem, da brasileira Petra Costa. A trajetória polêmica das últimas décadas dos bastidores do poder, das conquistas e decepções foi lembrado pela Academia.

O Brasil chegou perto, várias vezes, mas ainda não sentiu o gostinho da vitória no Oscar, a não ser indiretamente, em produções estrangeiras relacionadas ao Brasil. Mas isso fica para uma outra oportunidade. Quem levou a melhor, na América do Sul, foi nossos hermanos da Argentina, vencendo o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro duas vezes. Por A História Oficial (1985) e O Segredo de Seus Olhos (2009) e do Chile, por Uma Mulher Fantástica (2017).

Veja também:

O Brasil conta com talentos internacionais que podem trazer o Oscar no futuro. Conheça, portanto, a seleção canarinho das telas:

  • Alice Braga, atriz de Cidade de Deus, Eu Sou a Lenda, Ensaio Sobre a Cegueira, A Rainha do Sul;
  • Carlos Saldanha, diretor de Era do Gelo, Rio, Touro Ferdinando e e produtor da série Cidade Invisível;
  • Fernando Meirelles, diretor de Cidade de Deus, Ensaio Sobre a Cegueira e Dois Papas;
  • José Padilha, diretor de Ônibus 174, Tropa de Elite, Narcos, Robocop, O Mecanismo;
  • Morena Baccarin, atriz das séries Stargate, Firefly, Visitantes, Homeland, Gothan, Flash e dos filmes Serenity, Deadpool;
  • Rodrigo Santoro, ator de 300 – Ascensão de um Império, Ben Hur, 33, Lost e Westworld.
  • Walter Salles, diretor de Central do Brasil, Água Negra, Diários de Motocicleta e Na Estrada;

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