Oscar – O Brasil somente venceu por tabela | Artigo

Em se tratando de Copa do Mundo, todo mundo sabe, o Brasil é Pentacampeão e ainda sonha com o Hexa. Mas quando se trata do prêmio máximo do cinema, o Oscar, os filmes brasileiros ou realizados por brasileiros conseguem até chegar na posição de finalistas, mas na hora do gol, só ganham por tabela. A cobiçada estatueta dourada, distribuída pela Academia de Artes e Ciências de Hollywood, ainda não chegou na estante de nenhum brasileiro, ao longo da história. Mas não faltaram boas oportunidades. Teve até torcida, como não poderia deixar de ser.

O Brasil levou o Oscar por tabela em cinco situações distintas. O clássico francês Orfeu Negro (Black Orpheus) levou o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 1960. Dirigido por Marcel Camus, o filme é baseado na peça Orfeu da Conceição, de Vinícius de Moraes, numa livre adaptação da lenda grega do romance entre Orfeu e Eurídice que insere os personagens numa favela do Rio de Janeiro, durante o período de Carnaval. A obra foi uma có-produção entre Brasil, França e Itália. A mesma peça ganhou outra versão para as telas, em 1999, por Cacá Diegues, estrelada por Toni Garrido e Patrícia França.

O filme O Beijo da Mulher Aranha (Kiss of the Spider Woman) venceu a categoria de Melhor Ator Coadjuvante, para o norte-americano, William Hurt, em 1986. Em seu discurso, Hurt agradeceu aos “brasileiros corajosos que o ajudaram a realizar o filme”, e ainda falou em português: “Saudade, Brasil”. Outras categorias indicadas foram Melhor Filme, Melhor Diretor e Melhor Roteiro Adaptado. O filme foi uma có-produção entre Brasil e Estados Unidos, do diretor argentino, radicado no Brasil, Hector Babenco, responsável por grandes filmes nacionais como Lúcio Flávio (77) e Pixote (80).

O filme Diários de Motocicleta (Idem) venceu na categoria de Melhor Canção para a música “Al Otro Lado del Río” do cantor uruguaio, Jorge Drexler, em 2005, como destaque por ser a primeira canção em espanhol a vencer na história do prêmio. Mesmo assim, foi lamentável a atitude dos produtores da Academia que barraram o cantor uruguaio de apresentar sua própria obra e chamaram o ator Antonio Banderas para interpretar a canção indicada, acompanhado do guitarrista Carlos Santana, preocupados em ganhar audiência. Drextler acabou subindo ao palco para receber a premiação. O filme, dirigido pelo brasileiro Walter Salles, foi uma co-produção entre diversos países: Brasil, Estados Unidos, Argentina, Chile, Peru, França, Alemanha e Inglaterra e retrata a juventude do famoso guerrilheiro sul-americano, Ernesto ‘Che’ Guevara. Salles ficou mundialmente conhecido por seu Central do Brasil (98).

O filme O Jardineiro Fiel (The Constant Gardener) venceu na categoria de Melhor Atriz Coadjuvante para Rachel Weisz, em 2006. Dirigido pelo aclamado brasileiro Fernando Meirelles, em co-produção internacional, entre Inglaterra, Alemanhã, EUA, França e outros. O filme ainda foi indicado para Melhor Roteiro Adaptado, Melhor Montagem e Melhor Canção. Meirelles alcançou a fama mundial com Cidade de Deus (02) e também dirigiu Ensaio Sobre a Cegueira (08) e Dois Papas (19).

Por fim, em 2017, o filme Me Chame Pelo Seu Nome (Call Me by Your Name), do produtor brasileiro, Rodrigo Teixeira, conquistou o prêmio de Melhor Roteiro Adaptado, para o mestre James Ivory. O filme foi indicado ainda a Melhor Filme, Melhor Ator (Timothée Chalamet) e Melhor Canção, para Mistery of Love, de Sufjan Stevens. O filme é uma co-produção internacional, entre Itália, França, EUA e Brasil. Teixeira se destaca por ter produzido grandes filmes nacionais e internacionais como O Cheiro do Ralo (06), Tim Maia (14), A Bruxa (15), Ad Astra (19), O Farol (19) e Wasp Network: Rede de Espiões (19).

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Ainda não chegou a vez do Brasil, no Oscar. Mas já está na hora disso acontecer. A torcida continua.

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