Reflexões sobre a Covid 19, de alguém que enfrentou a doença

Estamos, todos, diante de um momento delicado. Que afetou toda a humanidade. Diante de uma doença perigosa, traiçoeira, calamitosa. Tão grave que resultou numa Pandemia Mundial. Afetou todos os países. Infelizmente, vivenciei a situação, por experiência própria, porque também fui contaminado. Fui internado. Sobrevivi.

Os efeitos da doença na sociedade, inevitavelmente nos leva a reflexões. Surgem questionamentos – Como levamos nossas vidas? O que consideramos prioridade? Como nos relacionamos com as pessoas? Como nos protegemos? Como cuidamos das pessoas ao nosso redor? Claro que, nem todos passam por esse tipo de reflexão. Muitas vezes, estão presos aos seus próprios dogmas. Incapazes de sentir essa necessidade.

Percebemos, então, que a sociedade, como um todo, expressa dois padrões de comportamento. De um lado, pessoas mais inclusivas. Preocupadas com o próximo. Mais solidárias. Mais conscientes. Por outro lado, pessoas mais egoístas. Hedonistas. Que priorizam o próprio prazer em detrimento dos outros. Ignorando os outros. Não se importa com o que acontece com outras pessoas. São indiferentes.

A oposição entre as pessoas solidárias e as pessoas indiferentes movem nossa sociedade hoje, mais do que divisão de classes ou questões raciais. Num cenário que ficou mais evidenciado, em decorrência da pandemia, essas maneiras de enxergar o mundo, distanciou as pessoas. Em alguns casos, provocaram confrontos, afastamentos, inimizades.

Enquanto pessoas solidárias, abraçam com coragem as linhas de frente. De atuação. Mesmo com os riscos da pandemia. Atuam na área de saúde. Em hospitais. São médicos, enfermeiros, assistentes, especialistas. Que lutam para salvar vidas. Reverter a doença. Buscar a cura. São anjos de luz dedicados a ajudar os pacientes a vencerem todo o mal e que trabalham, muitas vezes, sem condições. Sem recursos. Faltando equipamentos ou remédios. Sobrecarregados. Ainda assim. Dedicados a salvar vidas.

Pessoas indiferentes se esgueiram como covardes. Seguem sorrateiros. Vão para festas  clandestinas, boates, farras, churrascos. O próprio lazer em primeiro lugar. Não há interesse em parar. Não importa o risco de encontrar a doença. Acham que são jovens. São imunes. Pensam que terão efeitos mínimos. Mas não importa se vão levar a doença aos seus familiares. Aos seus amigos. Aos seus vizinhos. Não importa se outras pessoas peguem a doença. Ou sofram o pior. Para os indiferentes, o certo é usufruir. Exigir direitos. Exigem ir a praia. Ir a piscina. Ir a lanchonete. Como se não houvesse perigo algum.

Pessoas solidárias vão às escolas para ensinar seus alunos. São policiais que saem às ruas para garantir a segurança. São bombeiros na luta contra incêndios. São os garis que seguem os caminhões para recolher o lixo. São os motoristas de ônibus ou táxi que transportam seus passageiros. São funcionários das farmácias, dos supermercados. Vão, independente do risco de serem contaminados.

Pessoas indiferentes divulgam informações falsas para chamar atenção. Para desinformar. Para induzir as outras pessoas ao erro. Para ganhar dinheiro com audiência, sem sair do conforto de seus lares ou gabinetes. Para ganhar votos da política. Para eles, economia e emprego são mais importantes do que vidas. Essas pessoas brigam por direitos. Para não ter suas vontades contrariadas. Para manter conveniências. Eles não se importam com a doença. Não se importam com os doentes ou mortos. Não acreditam. Mas esquecem que a doença não se importa se você acredita ou não nela. A doença pode contaminar. Pode ser perigosa. E matar.

Pessoas solidárias fazem campanha de conscientização. Sobre o uso de máscaras. O distanciamento social. E da necessidade das vacinas. Fazem campanha para ajudar os mais pobres. Procuram doar o que é possível. Procuram reunir mais doadores para ajudar aqueles que mais precisam. Procuram ajudar naquilo que é possível. No que está ao alcance de cada um fazer.

Pessoas indiferentes buscam soluções antiéticas. Procuram médicos vendidos para falsificar atestados. E furar a fila da vacina. Pagam propina para supostos enfermeiros trazerem supostas vacinas clandestinas. Escolhem o achismo quando é conveniente, mesmo que, para isso, seja preciso negar a ciência. 

Esquecem que negar a ciência não é apenas ser contrário a vacina. Ou ser contrário a um medicamento. Negar a ciência implica em negar toda a ciência. Achar que um enfermeiro pode conduzir uma cirurgia. Um pintor pode advogar. Um pescador pode construir um imóvel. Negar a ciência deveria abdicar da tecnologia resultante. Querem negar a ciência, mas não negam o uso da televisão, de computadores, de internet, de celular, etc, etc, etc. A ciência implica em realizar testes, em quantitativo relevante. Utilizar metodologias e práticas para garantir a segurança para todos. Toda a sociedade. Para garantir a comprovação científica. Garantir que haja o mesmo resultado independente de onde for a prática.

Pessoas solidárias se preocupam consigo e com os outros. Pessoas indiferentes se preocupam apenas consigo mesmos e a própria conveniência. São como aqueles exemplos da classe política que colocam uma placa na porta do gabinete proibindo as pessoas de usarem máscaras pra depois, serem contaminados e internados. Desviam verbas que seriam para enfrentar a pandemia visando o lucro, independente da fila de mortos. Negam as vacinas, negam os testes, negam as máscaras, negam o distanciamento que podem ajudar a proteger a população por não querer gastar dinheiro, enquanto promovem aglomerações, desdenham da doença e dos mortos, difundem mentiras.

Quantos por cento da população que tomou a vacina virou jacaré? Pra que a China iria investir em microchips embutidos nas vacinas, visando monitorar as pessoas, se as pessoas já tem microchips que podem ser monitorados, por qualquer governo, através dos nossos aparelhos celulares? Através do que postamos em nossas redes sociais? Através de como utilizamos a Internet?

Só sei que disseram ser uma gripezinha. Mentira. Disseram que era exagero e mimimi, porque a pandemia, no Brasil, iria acabar em dois ou três meses (de 2020). Mentira. Disseram que a população brasileira iria alcançar a imunidade de rebanho, ainda em 2020. Mentira. Disseram que, pelo clima tropical brasileiro, a doença não iria infectar muitos brasileiros. Mentira. Disseram que não haveria segunda onda. Mentira. Enquanto isso, as pessoas continuam morrendo. Quase 500 mil pessoas. O que dizer agora para essas famílias que perderam seus entes queridos?

Mas o tempo vai passar. Muitos países vão concluir a vacinação de suas populações, enquanto o Brasil vai ficando para trás. Isso será mais e mais evidente, perceptível. Os demais países vão precisar manter o Brasil isolado do resto do mundo. Além da perda de vidas. Haverá mais prejuízos. Mais inconveniências.

Enquanto pessoas solidárias, crescem, amadurecem, evoluem. Pessoas indiferentes estacionam. Não aceitam mudar suas convicções. Se escondem em sua ignorância ou retrocedem. Escolhem o caminho do achismo, do mais fácil. Muitas vezes, não querem confrontar a realidade porque é chato, incomoda, é triste. Melhor fingir que está tudo bem. Até o dia em que vai precisar de um leito e pode não encontrar. Que vai precisar do próximo tubo de oxigênio. Ignoram a pandemia, mas esquecem de combinar com o Covid 19. Até ser tarde demais.

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Precisamos de pessoas mais solidárias, mais conscientes, mais colaborativas. Além da vacina, pessoas solidárias são essenciais para enfrentar essa pandemia e superar e ajudar a sociedade a nos transformar, a evoluir, a nos tornar seres humanos melhores.

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