Rogai Por Nós (2021) | Crítica

Queria assistir um filme sentindo a culpa cristã que tanto querem que sintamos quando vemos obras que se dizem desafiar as normas religiosas. Queria me sentir ofendido de ver um símbolo religioso profanado, usado de forma sexual quando deveria ser usado de forma castradora. Ou até mesmo sentir emoção quando o mal finalmente é vencido pelo bem imaculado e perfeito.

Mas para quem são feitos os filmes profanos? E o que realmente pode ser considerado profano

Quando “Rogai Por Nós” começa temos a impressão que iremos encontrar uma obra que desafia nossas questões morais e espirituais para quem ainda teima em manter isso dentro de si. Mas em vez de encontrarmos um protótipo de Devils do Ken Russell nos deparamos com um filme que acha que o ápice da heresia é colocar um suicídio de um padre dentro da igreja.

A culpa cristã parece que permeia tudo que está relacionado a religião e as narrativas que envolvem esses rituais. Não é muito distante aqui quando vemos os reflexos desse sentimento coletivo de religiosidade fazendo com que o roteiro pise constantemente em ovos para que no final o profano seja relatado de forma mais respeitosa possível – o que em nenhum momento deveria servir como regra, vale ressaltar.

Sei que “Rogai Por Nós” pode ser visto por alguns desavisados (ou desacostumados a consumir um tipo de arte que não tem medo de ser herege) como algo complexo e pesado, mas por trás do faz de conta de satanás temos uma trama simplória que em nenhum momento convence como cinema e tá mais preocupado em tentar chocar sua audiência.

Uma verdadeira decepção. A missa de domingo choca mais.

Classificação:

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A direção e o roteiro fica à cargo de Evan Spiliotopoulos. O terror é produzido por Sam Raimi (“Doutor Estranho 2”) e encontra-se nos cinemas.

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