Setembro Amarelo: Você colabora com terapias alheias?

Setembro começou e mais uma vez, chegam campanhas de conscientização e prevenção ao suicídio, além de várias pessoas usando pequenas fitas amarelas. Mas será mesmo que as pessoas levam em consideração suas ações em termos de evitar alimentar essa ideia?

A internet é considerada “Terra de Ninguém” e muitos se espalham através de perfis virtuais para dividir opiniões e reforçar tantas outras. Além de tudo, se expor de um modo mais transparente – e muitas vezes, sombrio – sobre situações polêmicas ou não. Os perfis fakes estão em toda parte, formando uma rede de desserviço para pessoas reais, da qual, sofrem ataques, exposições de suas intimidades e seus dados, sem mensurar as consequências e impacto que podem causar na vida alheia.

Quem possui rede social, já devem ter presenciado alguma situação sobre exposed, com prints, linchamento virtual, a cultura do cancelamento e o hate em si*. A grande questão é: e se fosse comigo, como iria lidar? Se eu falar de “empatia”, será uma palavra batida?    

Depressão, ataques de pânico, fobias, ansiedade, insônia, TOC são alguns transtornos que acarretam este mau uso e que vem sendo um padrão de comportamento na Era da Informação. Muitas pessoas acham que os transtornos causados por esses comportamentos no ambiente virtual são em decorrência de uma ‘mente fraca’, imaginemos como deva ser o bombardeamento de informações, às vezes verdades – em sua maioria, mentiras – e quão perfeitas são as pessoas que criticam, verdadeiros alecrins dourados. Porém, somos um apanhado de experiências e podemos destruir ou não, vidas.

Vemos muitos famosos sofrendo este tipo de ataque e se ausentando das redes sociais para “cuidar de sua saúde mental”, mas quem cuida da nossa? No momento que conhecidos nosso decide se ausentar das redes sociais, julgamos. Quando não usam, julgamos. Interpretações diversas, assim como teorias, e não percebemos que a “terra de ninguém” é bastante doente e nos inflamou igualmente. Caso famoso é entre as inúmeras notícias na exploração de imagens de Luíza Sonza e Whinderson Nunes. Ataques em suas redes, comentários degradantes, milícia virtual, suposições fazem parte de um dia-a-dia turbulento, onde se põe em jogo não somente o pessoal, mas o profissional, mental e imagem pública. Estamos muito enganados na questão de ser públicos e sempre receber qualquer tipo de comentário: a nossa vida é muito além do Instagram. E ela não é um jogo.

Denunciem as ofensas. Denunciem a irresponsabilidade. Denunciem o errado.

Lidamos com pessoas ruins todos os dias em nossa vida e sobrevivemos todos os dias de modos diferentes, mas existem pessoas que acham este fardo pesado demais e tomam medidas extremas. Nós somos pessoas com personas, facetas. Somos tímidos, extravagantes, frios, calorosos, pensativos, impulsivos e tantos outros adjetivos, mas somos humanos. Sobrevivemos por viver em comunidade, em colaboração. Seria burrice demais torcer para que nossa própria espécie venha a definhar dia após dia, com problemas que a espécie causa.

O site está sempre disponível, não somente em mês de Setembro, mas todos os meses para que saibamos onde procurar ajuda. Não sejamos pessoas que mandam outras para a terapia, não colaboremos com implosões. Nele, podemos nos informar nos locais onde podem atender quem necessita de um acompanhamento psiquiátrico e psicológico, além de nomes de profissionais, especialidades, locais de atendimento, folhetos instrucionais, suas diretrizes, além de ser uma campanha que abarca a América Latina, junto com o Conselho Federal de Medicina e a Associação Brasileira de Psiquiatria. Vale salientar também que o Centro de Valorização à Vida – CVV caminha junto nesta campanha, sendo voluntário e ajudando nos momentos mais perturbadores. Em seu site, podemos ver também a iniciativa “LifeGamers”, com explicações no YouTube.

Este editorial é dedicado a todos aqueles que buscam fazer o seu melhor, não respondendo provocações, ou alimentando comportamentos tóxicos, além de não escrever qualquer coisa que possa degradar o próximo. Que muitos se espelhem em vocês. Cuidemos uns dos outros. O nosso milênio, mesmo tão futurístico, ainda não consegue desvendar os mistérios da mente humana e nem mesmo, a perversidade que em si carrega. Mas antes disso, experimentemos pagar a terapia de alguém até ela receber alta. Nós temos responsabilidade com o que dizemos e a responsabilidade até mesmo emocional, se estende para aqueles que nós nos envolvemos virtualmente.

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*Materiais divulgados sem consentimento de ambas partes, divulgação de imagens, além de calúnia e difamação em ambientes virtuais configuram como cybercrime. Não passe o olho, passe o B.O.

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